jeudi 16 juin 2011

É domingo

É domingo. Faz frio na capital paulista, e o sol enfraquecido pelo outono é perseguido pelos pedestres. Todos estão passeando pelas ruas, afinal, é domingo. Já são cinco horas da tarde e as pessoas se dirigem à padaria mais próxima, ah, o cheiro do pão fresco inunda as ruas. Tudo se parece com o domingo...a calmaria das praças, os cachorros nos parques, o silencio alegre das escolas.
É domingo, e que belo domingo. Patrick desce para a rua. Ele adora os domingos. A primeira fornada de pão da noite sai às 17h32min, e ele deve ser consumido quente, para que a manteiga possa derreter. Assim, Patrick corre em direção à esquina e entra na padaria, a fila está enorme, o lanche da tarde espera ansiosamente pelo pão. A primeira da fila é uma senhora de cabelos compridos, muito brancos. E que demora!...Ah, a fornada já saiu, a fila aumenta e o cheiro faz Patrick fechar os olhos e respirar profundo. Patrick adora os domingos.
Saindo dali com a sacola cheia de pães frescos, ele arranca uma das pontas da baguete crocante e enfia dentro da boca com voracidade. Decide apressar o passo, pois o vento fresco pode esfriar o pão. Ele sorri pra si mesmo, quer chegar depressa em casa. Arranca a segunda parte do pão e...não! Um coco de cachorro! tarde demais para desviar seu caminho. As fezes do inocente cão se espalham pela sola do seu sapato. Patrick fica atônito, apenas deixa escapar um grunhido de asco. Ele tenta, sem sucesso, esquecer o incidente e caminha pendendo para o lado esquerdo, cujo pé fora brutalmente melecado , na tentativa de tirar o excesso das fezes de cachorro. O pão já havia esfriado, agora ele só sentia o cheiro horrível de seu sapato, e o dia já não estava tão bonito. Ah, porcaria de domingo. De repente o vento frio tornou-se insuportável e o sol queimava...e tudo tornou-se irritante demais.
É estranhamente comum passarmos pela mesma situação que o pobre Patrick. Há algo de especial na cidade, é rotina sermos surpreendidos por este incidente desagradável. Nas ruas paulistanas isso é mais comum do que se imagina. Curiosamente, o índice desses acidentes aumenta nos bairros mais nobres da cidade. E por que? Será o paulistano incapaz de recolher os dejetos de seu tão adorado animalzinho ? é simples, basta lembrar-se que a rua é publica e que pisar nas fezes de algum cachorro é, de fato, uma merda.

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